Luxo · Especial
Cambridge House abre reservas e reposiciona um palacete de Mayfair como hotel social
A estreia londrina da Auberge Collection combina 102 quartos, restaurante do Major Food Group e um centro de bem-estar de três andares em 94 Piccadilly.
Cambridge House, a primeira operação da Auberge Collection em Londres, abriu reservas para 2027. Instalado em 94 Piccadilly, diante do Green Park, o hotel ocupa um palacete georgiano associado desde 1756 à vida política e social britânica e que durante mais de um século abrigou o Naval and Military Club, conhecido como In & Out.
O projeto reúne 102 acomodações, incluindo 24 suítes, gastronomia do Major Food Group e o Baeden House, centro de bem-estar distribuído por três andares. Mais do que recuperar um edifício histórico, a operação tenta criar um novo ponto de encontro em Mayfair — hotel, restaurante, wellness e, mais adiante, clube de membros.
Patrimônio convertido em hospitalidade contemporânea
Jean-Louis Deniot conduz a releitura dos interiores do hotel. Seis suítes históricas formam um Piano Nobile de aproximadamente 6.500 pés quadrados, enquanto quartos e áreas comuns foram desenhados para preservar escala residencial dentro de um empreendimento de alta complexidade.
A transformação integra um programa de cerca de £1 bilhão dos Reuben Brothers para 1,3 acre do Piccadilly Estate. O investimento conecta Cambridge House a residências super-prime e novos endereços de gastronomia na mesma região, reforçando uma tendência clara: a hotelaria deixa de atuar como imóvel isolado e passa a organizar um pequeno distrito de serviços, sociabilidade e valor imobiliário.
Major’s e a volta da cerimônia à mesa
No térreo, o Major’s será a primeira interpretação londrina do chophouse americano pelo Major Food Group, responsável por casas como Carbone e Torrisi. A proposta usa ingredientes britânicos e devolve teatralidade ao serviço: frutos do mar, caviar, carnes e preparos apresentados à mesa.
O restaurante é parte central do posicionamento, não um equipamento secundário para hóspedes. Em hotéis urbanos de luxo, gastronomia forte cria recorrência local e dá vida ao endereço fora dos horários de check-in. Cambridge House quer ser frequentado por Londres, não apenas observado por visitantes.
Bem-estar como infraestrutura social
O Baeden House combina piscina aquecida, hidroterapia, seis salas de tratamento, academias, estúdios e ambientes úmidos e de calor. A referência declarada são tradições britânicas de cura e os banhos romanos, mas a operação também inclui programação conduzida por especialistas residentes.
A disposição em três andares sugere algo maior do que um spa convencional. Wellness passa a funcionar como clube, rotina e espaço de convívio — a mesma mudança que vem aproximando hotéis, clínicas, clubes privados e branded residences.
A data de abertura ainda exige confirmação
O material distribuído em setembro informou abertura prevista para 1º de fevereiro de 2027. Entretanto, na checagem feita em 19 de setembro de 2026, a página oficial do hotel apresentava apenas “Debuting 2027” e o módulo de reservas destacava datas em abril. Fontes do setor também divergiam sobre a primeira diária disponível.
Por isso, a informação segura neste momento é que as reservas estão abertas para 2027; quem pretende viajar nos primeiros meses do ano deve confirmar a disponibilidade diretamente com o hotel antes de organizar voos ou compromissos. A diferença não invalida a abertura comercial, mas impede tratar 1º de fevereiro como data definitiva.
O que Cambridge House representa
O projeto reúne quatro ativos escassos em Londres: endereço, patrimônio, gastronomia com identidade e espaço de bem-estar em escala incomum. Sua ambição não é ser apenas uma hospedagem muito cara, mas restaurar a função social de uma grande casa urbana. Se conseguir manter abertura para moradores sem perder intimidade para hóspedes, poderá se tornar uma referência importante para a nova geração de hotéis-clube.